Candidato a Deputado Federal por São Paulo

Mês: março 2018

Quem falou que o governo precisa fazer tudo sozinho?

Com demandas crescentes da população por serviços públicos de qualidade, eu acredito muito na ideia de que o governo pode e deve trabalhar cada vez mais com parcerias. O compromisso do ente público é garantir acesso e qualidade para as pessoas, mas não necessariamente ele precisa operar o serviço.
Na área da saúde, por exemplo, um Centro de Diagnóstico ou um Hospital pode ser público e gratuito, porém ser operado por uma organização privada, com ou sem fins lucrativos. Essa organização gestora é quem contrata os funcionários e médicos que trabalham ali, compra os equipamentos e suprimentos necessários, e administra o dia a dia da unidade; tudo isso sob regras mais flexíveis e ágeis do que as do setor público. Um bom contrato entre o governo e a organização privada é responsável por estabelecer as regras do jogo: quais são as métricas de resultado daquela unidade, como é feita a prestação de contas, e como a organização será remunerada pelo serviço prestado.
Para o cidadão que entra pela porta para ser atendido, pouco importa se o médico que vai cuidar dele é servidor público concursado ou é funcionário CLT. O que importa é ter um bom atendimento e recuperar a saúde com dignidade e rapidez. Porém, do ponto de vista da gestão pública essa diferença, entre ser o operador direto ou contratar um parceiro privado, pode significar muita coisa, trazendo flexibilidade, controle e qualidade em várias dimensões.
Ao longo dos meus estudos na Harvard Kennedy School, a escola de governo de Harvard, tive a oportunidade de conhecer e aprender sobre alguns destes modelos de gestão e parceiras com o setor privado. No Brasil, também já temos exemplos de sucesso, muitos inclusive na área da saúde com as chamadas OSs (Organizações Sociais). Ao meu ver, temos a oportunidade de usar cada vez mais estes modelos, ampliando a oferta de serviços públicos de excelência, para aqueles mais precisam. Isso é gestão pública com foco no cidadão.
Source: fundação NOVO

O que não se mede, não se gerencia

Está é uma frase marcante que aprendi com o Professor Vicente Falconi, guru brasileiro da gestão. Bem no comecinho da minha carreira, tive a oportunidade de trabalhar com ele e seu time de consultores em alguns projetos voltados para a melhoria da gestão na administração pública.
A ideia de que só podemos melhorar aquilo que conhecemos, ou seja, que estamos medindo, é absolutamente central e muito poderosa. Pode parecer algo simples e óbvio, mas o setor público brasileiro ainda é pouco desenvolvido neste sentido.
Vamos olhar o exemplo da Segurança Pública, tema que infelizmente tem ocupado bastante espaço em nossas manchetes. Quando um governo estadual decide implementar um modelo de gestão de indicadores para reduzir os crimes, por exemplo, há uma grande chance de que o crime realmente irá diminuir. Modelos de gestão na segurança implementados em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo demonstram isso.
A partir do momento que:
1) se definem quais serão os indicadores a serem medidos periodicamente;
2) que se definem metas para melhorar estes indicadores;
3) que todos se alinham para trabalhar por aquelas metas; o resultado começa a aparecer. Isto é, em poucas palavras, gestão.
Se em uma determinada região, todos os policiais sabem que a meta é reduzir em 10% o número de homicídios e reduzir em 20% o roubo de veículos, e que quem alcançar este resultado será recompensado com um bônus, estes policiais passam a trabalhar para bater a meta. É um incentivo. Da mesma forma, eles sabem que quem não bater a meta, terá que explicar ao final daquele mês os motivos de não ter atingido o resultado e apresentar para sua chefia um plano de ação corretivo. Assim, passa a ser feito um gerenciamento constante, baseado nos indicadores pactuados, e existem consequências positivas e negativas de acordo com o resultado.
Naturalmente, o desenho do sistema de metas e suas regras de incentivo tem que ser bem pensadas. A implementação deste gerenciamento no dia a dia requer disciplina, boa governança, e uma liderança atuante e alinhada a este propósito.
Como profissional do campo da gestão e tendo participado de projetos que já ajudaram governos a implementar modelos como estes, estou absolutamente segura que sem medir e gerenciar não vamos colher resultados melhores no setor público.
Source: fundação NOVO

Cadê o “RH” do governo?

Ao longo dos últimos 2 anos e meio, tive a oportunidade de trabalhar na área de Gestão de Pessoas da maior empresa de educação do mundo, a Pearson.
Meu aprendizado foi enorme e me deixou segura de que: sem boas práticas para atrair, desafiar e reconhecer pessoas, nenhuma organização é capaz de alcançar seu verdadeiro potencial.
Me preocupa muito quando olho para a realidade da administração pública brasileira, pois estas práticas mal existem. Os resultados deste vazio na gestão de pessoas são bastante ruins e perpassam todas as esferas e órgãos do governo. De lideranças despreparadas para tomar decisões complexas, até servidores que se recusam a trabalhar, mas que mesmo assim não podem ser mandados embora; o quadro é dramático.
Na área da Educação, essa negligência quanto ao “RH do governo” tem consequências profundas. No geral, as redes de educação pública não estão conseguindo atrair os melhores profissionais, não há práticas efetivas para treinar e reter os bons professores na sala de aula, e sem um plano de carreira adequado e desafiador muitos migram para carreiras administrativas ou gerenciais. Novamente, este professor em geral não tem formação para atuar numa posição gerencial como de diretor de escola, não tem um chefe ou mentor para avaliar sua performance e apoiar seu desenvolvimento como gestor. O sistema tem pouquíssimos mecanismos para recompensar quem entrega bons resultados, tanto na sala de aula quanto na gestão de uma escola. Como isso pode dar certo?
Eu nunca ouvi falar de uma organização que alcançou sucesso e bons resultados que não tenha feito isso a partir de um conjunto bem desenhado de regras e incentivos, combinada com a atuação de lideranças alinhadas e, em algum nível, inspiradoras, movendo as pessoas para um mesmo objetivo. Apesar do idealismo e resiliência de alguns dos professores e servidores das redes, o nosso sistema não está desenhado para performar bem.
Mais de 40 milhões de alunos brasileiros passam anualmente por este mesmo sistema, a maioria depende disso para ter alguma chance de uma vida digna lá na frente. Aceitar qualquer coisa que não seja o máximo potencial das nossas redes de educação pública seria injusto e imoral. Este potencial só será atingido quando as pessoas que trabalham nele estiverem também em sua melhor performance, cada um fazendo aquilo que gosta e que faz bem. A pauta de gestão de pessoas é inevitável e é, na minha visão, uma das chaves centrais para transformarmos a educação e o Brasil.

Source: fundação NOVO