Candidato a Deputado Federal por São Paulo

Category: Cauê Bocchi

Inútil voto útil

Inútil voto útil

por Cauê Bocchi

Nada é mais curioso do que o paradoxo que existe em muitos dos eleitores que julgamos bem educados, politizados. Eles são os primeiros a dizer que a política no Brasil precisa de renovação, de um recall. São eles que dizem que diversas reformas são necessárias – e alguns notórios exemplos aqui são a reforma política, previdenciária, trabalhista e tributária. O diagnóstico dessas pessoas tão inteligentes é em geral bastante preciso. Quando perguntamos, contudo, como elas vão votar para presidência, governo, senado etc. em 2018, elas apontam para aquelas legendas que todos nós votávamos alguns anos atrás por pura falta de opção. Ou seja, elas querem tudo diferente, mas votam igual. É uma síndrome de Estocolmo crônica da qual parecem sofrer esses nossos sábios eleitores.

Claro que existe uma explicação racional para esse aparente paradoxo: afinal, estamos falando com eleitores de inteligência superior. O NOVO, dizem eles, é um partidos de ideias e valores admiráveis; o problema é que vai ser incapaz de mudar alguma coisa porque não vai ter base no Congresso para mudar algo, ou porque é muito idealista e não sabe jogar o “jogo político” etc. Assim, eles continuam, mais prudente votar naqueles partidos menos ruins – de modo a evitar que os piores sejam eleitos. Esse raciocínio é simples e lógico, devemos admitir. Ele é também medroso e covarde, permitam-me dizer. O voto útil é uma perversão da democracia.

O problema do eleitor do voto útil não é o fato de ele votar diferente da gente: há quem discorde do NOVO porque acredita em outras propostas. O problema é que muitas vezes se concorda com o NOVO, mas se tem medo de assumir isso na urna. É gente que sabe o que deveria ser feito, mas que por alguma razão acha que não somos merecedores daquilo que é excelente: gente que confunde prudência com mediocridade e ainda parece ter orgulho disso. Claro que ninguém aqui é bobo, e ser idealista não quer dizer ser ingênuo. Sabemos que os desafios de um partido como o NOVO no Congresso Nacional serão enormes, mas a alternativa é a inação, é deixar tudo como está – e esse cenário é inadmissível. Mas a pergunta persiste: como eliminar a barreira do voto útil?

A primeira parte da resposta está em 2016. Temos um vereador em cada uma de quatro das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte. Nossos vereadores são minoria em cada uma das respectivas Câmaras de Vereadores, mas isso não impediu, por exemplo, que Janaína Lima fosse a vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça de São Paulo – a mais importante comissão no âmbito do poder legislativo municipal. Não impediu também que Felipe Camozzato tivesse total protagonismo em impedir o aumento do IPTU em Porto Alegre, mesmo que com todos os esforços em sentido contrário da grande maioria dos seus colegas vereadores. Os cortes drásticos das verbas de gabinete que todos os vereadores do NOVO fizeram hoje são copiados por diversos outros vereadores, mesmo os nossos mais ferrenhos opositores (tudo bem que o corte deles não tem sequer uma sombra do nosso grau de rigor). A mensagem aqui é que o bom exemplo também gera mídia, e o poder das notícias, redes sociais etc. muitas vezes vale mais do que qualquer base nas casas legislativas. Pode parecer que não, mas já temos um grande poder em nossas mãos.

A segunda parte da resposta está no passado recente. Vejamos o exemplo de Trump: independentemente de qual seja a nossa opinião a respeito dele, o fato é que ele saiu do nada – não tinha o apoio sequer do próprio partido – e foi eleito presidente dos EUA, e isso contra uma representante do establishment do poder político dos EUA. Podemos também destacar o exemplo de Macron na França, um jovem proveniente do mercado financeiro que criou um novo partido e saiu do quase anonimato à eleição para presidência da França em tempo recorde. França e EUA são países tão complexos politicamente quanto o Brasil, e isso não os impediu de chegarem à presidência de seus respectivos países. A mensagem aqui é que não podemos ter medo da política tradicional: é a política tradicional que precisa ter medo da gente. Nós vamos tirar eles do poder, e os que ficarem serão pressionados a nos seguir pelo exemplo – que pragmaticamente saberemos divulgar, em benefício do idealismo que os críticos chamam de ingenuidade.

Dizemos que o Brasil é o país do futuro. O problema do futuro é que ele por definição nunca chega. O ano de 2018 é uma oportunidade sem precedentes para mudarmos essa situação. O sucesso da Lava Jato, a condenação de Lula e o ostracismo de Aécio Neves são alguns dos exemplos que demonstram que o Brasil parece ter começado a acordar. Desperdiçar essa oportunidade para votar em quem parece “não ser tão ruim assim” é um pecado imperdoável. É uma pretensa sabedoria, cuja estupidez não poderia ser mais óbvia. Essas pessoas estão no nosso círculo de amigos, trabalham conosco, são da nossa família. Ou seja, convencê-las a votar por um Brasil mais admirável está ao nosso alcance. Não existe desafio para o NOVO em 2018 maior do que esse, e agora é a hora de mostrarmos o nosso poder de realização. Já se foi o tempo em que votávamos em quem não estava à altura do nosso voto. O voto útil é inútil para o Brasil que merecemos.


Cauê Bocchi é advogado formado pela FGV-SP e Secretário de Finanças do NOVO no município de São Paulo.


Os textos refletem a opinião do autor e não, necessariamente, do Partido Novo.


Source: novo

O elogio da loucura

O elogio da loucura

por Cauê Bocchi

elogio-da-loucura (1)


Conheci o NOVO em 2011, quando qualquer possibilidade de o grupo vir a se tornar um partido político parecia um sonho impensável. Um pessoal que não tinha medo de falar em privatizações? Que dizia que o Estado era grande demais, e que deveria focar somente naquilo que era essencial? Que o fundo partidário deveria acabar? Que não fazia sentido membros da administração partidária concorrerem a cargos eletivos? Era tudo tão óbvio que era também utópico: afinal, na política brasileira nada parece ser mais contraintuitivo do que dizer aquilo que deveria saltar aos olhos de qualquer um. E o NOVO já fazia isso, ainda quando o total de seus membros mal conseguia ocupar uma sala inteira.

A loucura virou otimismo ao longo dos anos, e o otimismo por fim ganhou tons de realidade. Em 15 de setembro de 2015 conseguimos o que parecia impossível: viramos um partido político. E o fizemos respeitando cada vírgula da lei – Kassab, Marina, será que poderiam dizer o mesmo? Já em 2016 concorremos em cinco capitais para os cargos no legislativo municipal – eu mesmo me candidatei e vereador em São Paulo –, e no Rio de Janeiro ainda tivemos uma candidata à prefeitura. Elegemos quatro candidatos nas cinco cidades em que participamos, e o NOVO ficou entre as legendas mais votadas em todos os casos, já à frente de partidos tradicionais. Sem coligações, sem fundo partidário e sem políticos. Aquela loucura de 2011 já não parecia tão louca assim…

Tal qual uma empresa privada – sim, empresa privada, capitalista etc. –, o NOVO tem metas, e a nossa para 2018 é eleger o maior número possível de deputados federais, senadores e – por que não, somos loucos mesmo – lançar um candidato competitivo à presidência da república. Possivelmente teremos ainda candidatos a governador e deputados estaduais nos estados em que a presença do NOVO já seja mais relevante. Quem vê de fora pode achar tudo isso uma loucura: afinal, Lulas, Ciros e Bolsonaros são muito mais conhecidos, os partidos vão fazer coligações, o fundo partidário engordou ainda mais e o NOVO não fez e não vai fazer uso de um único centavo desse dinheiro. É tudo uma loucura mesmo, mas não existe loucura maior do que subestimar o poder de realização de quem faz parte do NOVO. Para mudarmos alguma coisa na política brasileira é preciso sonhar gigante. É isso que a gente faz, todo dia, de graça (apesar de não existir almoço grátis), porque só reclamar e ser passivo não adianta nada.

O crescimento do NOVO ocorre em progressão geométrica. Já somos o partido mais curtido no Facebook; somos o partido com a maior base de contribuição de filiados; somos o partido que mais cresce em número de filiados. A entrada do Gustavo Franco no nosso time mostra que estamos no trilho certo, e aqueles que têm o potencial de pensar e melhorar o Brasil estão na mesma toada. O crescimento do número de haters é sinal inequívoco do nosso sucesso e crescimento: seja o do social-qualquer-coisa que usa a sua síndrome de Robin Hood pervertida para igualar liberdade a elitismo; seja o do reacionário que até hoje não percebeu que a roupa que ele veste é a do populista que ele tanto gosta de odiar, só que do avesso; seja o do intelectual que não é lá um grande leitor; seja, ainda, o do antipolítico que acha que vai mudar o Brasil com posts no Facebook sedentos por novos likes.

Ainda somos pequenos, mas não tão pequenos assim. Somos ainda uma startup na política brasileira, mas qualquer pessoa com dois parafusos no lugar já consegue perceber que somos uma daquelas raras startups de um bilhão de dólares. Já ocupamos bem mais do que uma sala – que diferença para 2011! Como diria Victor Hugo, nada é tão poderoso como uma ideia cujo tempo chegou, e parece que a ideia de liberdade, empreendedorismo e ética finalmente chegaram ao Brasil. Nesse sentido, não existe honra maior do que fazer parte de uma ferramenta como o NOVO, sem dúvidas aquele com maior potencial de promover tais valores na política brasileira.

No próximo dia 18 o NOVO fará o seu 3º Encontro Nacional, numa edição que promete ser memorável. Será a última reunião de filiados e simpatizantes de todo o Brasil antes das eleições de outubro de 2018. Os ingressos já estão esgotados há dias, porque parece que esse negócio de ser louco contamina como rastilho de pólvora. Aos poucos (ou nem tão aos poucos assim) parece que conseguimos perceber que loucura mesmo é achar que vamos mudar as coisas se continuamos a agir do mesmo jeito. Já não era sem tempo: nesse sentido, o NOVO é um sopro, ou melhor, um furacão de sanidade. Loucura, hoje, é duvidar do NOVO.


Cauê Bocchi é advogado formado pela FGV-SP e Secretário de Finanças do NOVO no município de São Paulo.


Os textos refletem a opinião do autor e não, necessariamente, do Partido Novo.


Source: novo