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Contam-se os mortos e os danos para avaliar o crescimento da violência  

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DAVID AZEVEDO
(@admin)
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Entrou: 2 anos atrás
Posts: 1
14/02/2018 6:10 pm  

"Contam-se os mortos e os danos para avaliar o crescimento da violência" Além dos mortos e feridos que podem ser contabilizados em delegacias e hospitais, há também que se levar em conta os sofrimentos psíquicos e morais. Os primeiros são visíveis e publicitáveis. Os segundos são invisíveis, e deles pouco se fala. As vítimas da violência que sobrevivem não têm apenas as deficiências físicas que decorrem das agressões sofridas. As marcas traumáticas no seu psiquismo são tão ou mais graves, e muitas jamais cicatrizam. Parentes e amigos das vítimas que sobrevivem têm também o seu ordálio de sofrimentos. Um exemplo é a própria humilhação sofrida cotidianamente por jovens (homens e mulheres) que não podem dizer não aos chefes muito bem armados das quadrilhas ou aos policiais que se comportam também como déspotas, nos locais onde suas ações não podem ser denunciadas por causa do terror já implantado entre seus moradores. Denunciar a polícia como instituição, numa tentativa infantil de afirmar que não se precisa dela, é negar sua importância crucial na garantia dos direitos civis ou humanos — o direito à vida e à propriedade — e abdicar de torná-la mais capaz de um controlo democrático da criminalidade, que vitimiza principalmente os pobres. É preciso, portanto, modificar a polícia e seus métodos de enfrentamento dessa situação terminal com a máxima urgência. Acabar com a guerra entre comandos, e de policiais versus bandidos, para preparar policiais e moradores nas novas relações de cooperação que se fazem necessárias. Fonte: Alba Zaluar Alba Maria Zaluar (Rio de Janeiro) é uma antropóloga brasileira, com atuação na área de antropologia urbana e antropologia da violência.


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