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Contam-se os mortos e os danos para avaliar o crescimento da violência

"Contam-se os mortos e os danos para avaliar o crescimento da violência" Além dos mortos e feridos que podem ser contabilizados em delegacias e hospitais, há também que se levar em conta os sofrimentos psíquicos e morais. Os primeiros são visíveis e publicitáveis. Os segundos são invisíveis, e deles pouco se fala. As vítimas da violência que sobrevivem não têm apenas as deficiências físicas que decorrem das agressões sofridas. As marcas traumáticas no seu psiquismo são tão ou mais graves, e muitas jamais cicatrizam. Parentes e amigos das vítimas que sobrevivem têm também o seu ordálio de sofrimentos. Um exemplo é a própria humilhação sofrida cotidianamente por jovens (homens e mulheres) que não podem dizer não aos chefes muito bem armados das quadrilhas ou aos policiais que se comportam também como déspotas, nos locais onde suas ações não podem ser denunciadas por causa do terror já implantado entre seus moradores. Denunciar a polícia como instituição, numa tentativa infantil de afirmar que não se precisa dela, é negar sua importância crucial na garantia dos direitos civis ou humanos — o direito à vida e à propriedade — e abdicar de torná-la mais capaz de um controlo democrático da criminalidade, que vitimiza principalmente os pobres. É preciso, portanto, modificar a polícia e seus métodos de enfrentamento dessa situação terminal com a máxima urgência. Acabar com a guerra entre comandos, e de policiais versus bandidos, para preparar policiais e moradores nas novas relações de cooperação que se fazem necessárias. Fonte: Alba Zaluar Alba Maria Zaluar (Rio de Janeiro) é uma antropóloga brasileira, com atuação na área de antropologia urbana e antropologia da violência.

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A cultura da violência

“A cultura da violência existe e cresce”. Segundo essa assertiva, uma cultura específica encapsularia a violência em certas sociedades ou civilizações. Mas a violência não se refere aos critérios de tal ou qual civilização, nem às regras de uma sociedade dada, nem mesmo de um tempo histórico determinado. Ela é imanente ou presente, mesmo que limitada ou relativamente controlada, em todas as culturas,  assim como a cultura da paz. Tem outros nomes na antropologia: reciprocidade negativa ou positiva e destruição de coisas e pessoas ou construção de laços sociais mesmo entre inimigos, numa visão que é dicotômica mas que não exclui a tensão permanente entre esses dois pólos nos confrontos competitivos e conflitivos do potlacht, do esporte moderno e de muitas trocas agônicas. Nessas trocas, as regras que impedem a completa destruição dos outros são acordadas e vigoram para que o jogo continue. Quando a violência irrompe, muitas vezes, por uma conjunção de ações retroalimentadas por outras ações individuais ou coletivas, ela é governada não apenas pelo cálculo racional, mas pela paixão ou emoção descontrolada. A violência absoluta se exalta e se propaga indefinidamente no circuito das vinganças, mas também dos prazeres destrutivos que se tornam viciados e excessivos. Quando baseada no massacre ou no terror, ela inverte o mundo familiar, cria a incerteza, destrói a previsibilidade das ações. Os olhares tornam-se vagos, não há mais terreno seguro, perde-se o chão, o abrigo e a proteção, tal como vimos acontecer ao vivo e em cores no dia 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque, mas também no Iraque e no Afeganistão. Tais ações descontroladas não são mais combates entre duas quadrilhas ou grupos em guerra, mas verdadeiros massacres de quem não está envolvido e não tem meios de defesa, porque os massacres acontecem dentro de ambientes fechados (como nas torres do WTC). Esses excessos, no Brasil, são promovidos pelos grupos de extermínio, sejam eles compostos de policiais ou traficantes, dentro de casas, bares, favelas, onde o fator surpresa impede que as vítimas fujam (às vezes para serem caçadas) ou se defendam com armas de potência similar. As conseqüências sociais são catastróficas na medida em que não é mais possível prever o comportamento alheio, deixando portanto de funcionar os parâmetros do perigo e da ordem, assim como os fundamentos da confiança, sem a qual não existe vínculo social positivo. Nessas situações, é o medo sem direção, isto é, o pânico que prevalece. Atinge, embora desigualmente, tanto os pobres e camadas médias da favela quanto os pobres e camadas médias do asfalto, os primeiros porque estão no centro da ação de guerra e são vítimas de crimes violentos, os segundos por estarem na periferia da ação e por serem vítimas de crimes contra a propriedade. Uma estratégia pública muito bem pensada e muito eficaz precisa ser montada para interromper esse circuito. Dizer que o medo aqui é fruto da manipulação da mídia é, portanto, uma afirmação ideológica que tenta negar o que acontece: não apenas a violência institucional, mas sobretudo a violência que resulta das transações selvagens e ilegais dos tráficos no crime-negócio. Fonte: Alba Zaluar Alba Maria Zaluar (Rio de Janeiro) é uma antropóloga brasileira, com atuação na área de antropologia urbana e antropologia da violência.

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A desigualdade social é a explicação da violência

“A desigualdade social é a explicação da violência”. Baseada principalmente no diferencial de renda entre os mais ricos e os mais pobres, ou no diferencial de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), essa tese pressupõe que a revolta moveria os homens a agir violentamente para diminuir as distâncias e as invejas que a desigualdade provoca. Considera a dimensão do poder, mas não aprofunda a dimensão subjetiva da desigualdade, nela incluída a da violência já mencionada. A desigualdade, por ser medida em índices, tende a ser reduzida ao que é quantificável, principalmente à renda monetária, à escolaridade e à expectativa de vida. Continuam excluídos dos índices, no entanto, os efeitos menos visíveis da violência institucional e da violência difusa no social, assim como o acesso à justiça. No caso da violência policial, a dualidade observada por A. L. Paixão (1988) permanece: a polícia para os moleques, elementos e marginais (os pobres) e a polícia para os doutores e senhores (os ricos). No plano social, no entanto, há processos igualitários que o Brasil, vigora um sistema de castas que proíbe certas ocupações superiores aos membros das castas mais baixas, atribuindo-lhes as consideradas mais vis. O casamento intercasta também é proibido. Dois jovens enamorados que pertenciam a castas diferentes foram mortos por seus respectivos parentes no ano de 2001. Há várias dimensões da desigualdade que não foram incorporadas nos índices: a civil (inclusive a existência de leis anti-racistas), a política, a cultural, a institucional etc. Além disso, os homens que se juntam nas hordas, bandos ou quadrilhas de transgressores ou marginais, muitas vezes ainda festejados como opositores à ordem vigente, não agem violentamente para acabar com a violência ou inverter a ordem social, visto que a desigualdade existe em alto grau dentro das organizações e redes da criminalidade transnacional contemporânea, dominada pelo mercado selvagem dos tráficos. A desigualdade é parte da microestrutura de poder no interior das quadrilhas e se manifesta não só na divisão do butim que cabe a cada um, mas também no diferencial de submissão aos instrumentos da violência. Os que estão nos escalões mais baixos sofrem muito mais o medo e o martírio de viver ameaçados pela morte cruel e implacável nas mãos dos inimigos. Vivem sob o império do interdito da traição e da ação independente do comando. A violência cria um abismo absurdo entre o que detém o instrumento, que obriga a submissão, e a sua vítima, que não tem defesa nem recurso. Tem que obedecer. Essas formas extremas de violência desmantelam culturas e possibilidades de associação — culturas que teriam sido inventadas para conter tais paixões ou impulsos humanos —, sem que consigam fazê-lo completamente.

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Sistema Nacional de Segurança pública

este tópico tem como objetivo aprofundar a discussão sobre o sistema de segurança pública nacional

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Guarda Municipal

A guarda municipal tem ajudado na segurança pública, porem, como em outras áreas, passa por diversos problemas. neste contexto vamos discutir como podemos fazer para melhorar a estrutura e tornar mais eficiente!

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Segurança Pública

Acesso o fórum e vamos discutir o assunto! Sua participação é importante, toda ideia é válida e tem que ser analisada! Aproveita para deixar sua opinião! Vamos discutir e debater sobre segurança pública, o objetivo principal é prepara um Brainstorming para levantar ideias que possibilitem melhorar o sistema de segurança pública do país.

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