Quem falou que o governo precisa fazer tudo sozinho?

Com demandas crescentes da população por serviços públicos de qualidade, eu acredito muito na ideia de que o governo pode e deve trabalhar cada vez mais com parcerias. O compromisso do ente público é garantir acesso e qualidade para as pessoas, mas não necessariamente ele precisa operar o serviço.
Na área da saúde, por exemplo, um Centro de Diagnóstico ou um Hospital pode ser público e gratuito, porém ser operado por uma organização privada, com ou sem fins lucrativos. Essa organização gestora é quem contrata os funcionários e médicos que trabalham ali, compra os equipamentos e suprimentos necessários, e administra o dia a dia da unidade; tudo isso sob regras mais flexíveis e ágeis do que as do setor público. Um bom contrato entre o governo e a organização privada é responsável por estabelecer as regras do jogo: quais são as métricas de resultado daquela unidade, como é feita a prestação de contas, e como a organização será remunerada pelo serviço prestado.
Para o cidadão que entra pela porta para ser atendido, pouco importa se o médico que vai cuidar dele é servidor público concursado ou é funcionário CLT. O que importa é ter um bom atendimento e recuperar a saúde com dignidade e rapidez. Porém, do ponto de vista da gestão pública essa diferença, entre ser o operador direto ou contratar um parceiro privado, pode significar muita coisa, trazendo flexibilidade, controle e qualidade em várias dimensões.
Ao longo dos meus estudos na Harvard Kennedy School, a escola de governo de Harvard, tive a oportunidade de conhecer e aprender sobre alguns destes modelos de gestão e parceiras com o setor privado. No Brasil, também já temos exemplos de sucesso, muitos inclusive na área da saúde com as chamadas OSs (Organizações Sociais). Ao meu ver, temos a oportunidade de usar cada vez mais estes modelos, ampliando a oferta de serviços públicos de excelência, para aqueles mais precisam. Isso é gestão pública com foco no cidadão.
Source: fundação NOVO

Article by Flavia Goulart