São Paulo, a cidade que ama todos!

Quando cheguei em São Paulo trazia na bagagem poucas roupas, cansaço e um violão companheiro das viagens. Pensava em juntar um dinheiro e voltar para montar uma (banda) rock, mas o destino preparou outra cosia muito boa!

Desci em Congonhas, atravessando a passarela, magro e cabisbaixo. Tinha, apenas, a esperança de mudar de vida, peguei um ônibus, desci no terminal do Guarapiranga e outro para Piraporinha em santo amaro — ainda não me confundo se é estação ou terminal — fui para casa de uma amiga que me concedeu um quarto, ela foi umas das pessoas que conhecia a dificuldade que tínhamos em Salvador, mas também conheceu alguém que, mesmo com as dificuldades, sempre trabalhou. Nesta cidade gigante, a única coisa que tinha, era a pouca experiência em desenvolvimento de “software” e a em manutenção de sistemas e computadores.

Com uma entrevista agendada, em uma fábrica de “software”, enfrentei frio, o que era o dos menores dos problemas, e fui reprovado! A tristeza de ser reprovado na primeira entrevista é dolorida, vem a decepção… e o frio, algo entorno de 13.º, para alguém que nunca enfrentou abaixo dos (21.º), duas calças, 3 blusas e uma jaqueta, era pouco para poder aquecer. Lembrava sempre que precisava ajudar a mãe e o pai em casa, meus irmãos. Isso tudo me deu gás para tentar. Com apenas 100 reais, mais o dinheiro da passagem de volta, estava disposto a tentar novamente e novamente… dei-me a única opção, mais entrevistas.

Pensava que vinha para São Paulo para ter sucesso e crescer profissionalmente, cheguei até pensar em ir para a construção civil ou qualquer coisa já seria melhor que a vida que tinha antes, pois, aqui tinha oportunidades.

Acordei em uma segunda, fui para o Google procurar por vagas de emprego, e na primeira página apareceu uma vaga na XXX Informática, mandei o currículo e em poucas horas uma moça do RH conversa comigo e agendou uma entrevista. Então fui aprovado, novamente no frio, porém, muito feliz! Para minha surpresa, logo em seguida, fui informado que tinha outra etapa, fazer a entrevista no cliente — não entendia como funcionava a relação consultoria-cliente rs — pensava que, se fosse aprovado, estava contratado, mas enfim fui para a segunda etapa.

O Cliente era um banco Japonês, na data 03/10/2008 às 14:30, a emoção de andar na paulista, entrar em um prédio de quase 100 andares — eu contava as janelas kkk – era sensacional. No Banco Mitsui, a primeira prova de fogo em São Paulo, em um lugar onde as pessoas, em sua maioria, tinham os olhos puxados, — coisa rara em Salvador quando não há carnaval RS — me senti em casa. A Entrevista foi com gerente da área, carioca que gostava de conversar, tivemos uma boa conversa e ele ficou de retornar para a consultoria. Lembro que, no mesmo dia a tarde, tive retorno da consultoria e do cliente. Coloquei uma proposta de R$ 1 600,00, este valor era mais que o dobro do que tinha conseguido ganhar em salvador. Para minha surpresa eles tinham aprovado minha contratação com um salário de R$ 5 800,00, para mim inacreditável, para São Paulo uma oportunidade para quem gosta de trabalhar.

Agora, em uma nova etapa da vida, comecei a conhecer São paulo e o que a cidade tem a oferecer, este ano fará 10 anos em SP, São Paulo faz 464 anos e eu poderia contar 464, ou até mais, coisas que o Estado me proporcionou. Parabéns São Paulo, e a todos que tornam esta cidade grande!